quinta-feira, 28 de abril de 2016

A história de Dalton

Fazia frio em Goiânia. Ele achou até surpreendente porque o que sabia daquela cidade era que o calor lá era imenso, só que especialmente naquele dia a temperatura havia caído muito e isso o fazia bem, trazia lembranças da cidade natal, da sua Chapecó.
Horas antes, quando havia saído de Teresina, Dalton sabia que aquele seria um dia diferente, não entendia porque, só sabia. Percebia que o clima dos seus companheiros de trabalho era muito bom, todos estavam muito animados, confiantes. A missão que estava por vir era complicada, mas eles estavam se acostumando com isso, nos últimos anos o grupo vinha transpondo várias barreiras, derrotando vários gigantes, não a toa são motivo de orgulho no Piauí.
Dalton sempre vibrava com as vitórias do grupo, sentia-se parte daquilo, mas no fundo faltava algo, queria contribuir mais, queria aparecer um pouco mais, o bem estar do dia girava em torno desse desejo, e talvez o frio fosse um sinal do bom agouro.
A delegação do River do Piauí deixou o hotel ás 18 horas, o jogo estava previsto para começar ás sete e meia da noite, não contavam que o trânsito na 88 estivesse tão intenso, também acharam que não seria necessária a escolta policial, tudo isso contribuiu com o atraso, chegaram no Serra Dourada faltando apenas 30 minutos para a bola rolar. Mas isso não os abalou, a confiança ainda era visível.
No vestiário Dalton percebeu que Naylson estava destoando dos demais companheiros, parecia estar preocupado. Foi ter com ele:
- O que tens?
- Não sei, não me sinto bem. Se prepara vai. Preciso muito que pare eles, como eu parei lá no Albertão. Confio muito em você guerreiro e o Capitão também confia.
- Como assim? Não vais pro jogo?
- Hoje é seu dia, honre esse escudo. Vou avisar o Capitão, hoje eu realmente não tenho condições. Jogue por mim também.
- Claro que sim!

Dois minutos depois já estava no gramado fazendo o aquecimento. Sentiu de novo o frio e com ele veio uma satisfação imensa e o desejo cada vez mais forte de brilhar. A torcida do Goiás não o abalou, bem verdade que não comparecia em bom número e ele até não entendia o porque disso, seus amigos Júnior Xuxa e Diego Lira haviam dito antes que a torcida era imensa.
Resolveu esquecer aquilo, afinal a bola já ia rolar. E logo aos oito minutos viu o time brilhar mais uma vez, Eduardo aproveitou uma falha grotesca de Anderson Salles e tocou por cima de Ivan, o River abria a contagem no Serra. Há tempos não via um gol de dentro das quatro linhas, a sensação foi indescritível.
Três minutos depois e a desolação. Dalton não pode parar Raphael Lucas. Depois que a bola tocou a rede, ele abaixou a cabeça, respirou fundo, mas não se deixou abater sabia que aquela seria sua noite, o frio gritava isso a quem quisesse ouvir.
No intervalo preferiu não falar com os jornalistas, e por um motivo bem simples, queria falar só no final da noite, quando sentia que seria necessário e importante falar. Um jovem repórter de óculos e blusão azul até ficou chateado com a recusa, mas Dalton prometeu a si mesmo que falaria com ele no final.
Retornou para o gramado, fitou Raphael Lucas antes da bola começar a rolar, sabia que ele queria bastante estragar sua noite, mas não sentia raiva, cumprimentou o companheiro de trabalho e foi para sua meta.
Aos 25 minutos viu a bola entrar em seu gol mais uma vez, de novo ele, de novo Raphael Lucas, pela primeira vez na noite sentiu medo, sentiu insegurança, pensou que talvez não fosse possível. Bateu um forte vento. Enquanto buscava a bola no fundo do gol lembrou de Naylson, de Capitão, de Chapecó, e que se dane o Raphael Lucas.
O placar de 2 a 1 para o Goiás levava o jogo para os pênaltis, àquela altura desejava isso, torcia para o tempo passar, sabia que seu 1 metro e noventa e oito de altura seriam um diferencial. Também queria o fim porque a perna já o incomodava, tanto que nem cobrava mais os tiros de meta, deixou a responsabilidade para Tote. O tempo passou, o frio apertou e a hora da decisão chegou, a partida foi mesmo para as penalidades.
Dalton viu um a um os jogadores do Goiás acertarem suas cobranças, pelo menos seus companheiros estavam respondendo na mesma moeda e a partida seguia empatada. Murilo era o responsável para a quarta cobrança do adversário, depois de ter pulado três vezes seguidas para o canto esquerdo, resolveu arriscar o direito, não achou a bola, ela explodiu na trave, na sequencia bateu em suas costas e depois foi pra fora. Aquilo tinha sido uma defesa? Não tem nem talvez, foi uma defesaça. Apenas sorriu, olhou para o céu e sorriu de novo.
Contudo o outro goleiro também ia bem, Ivan defendeu a cobrança de Fabinho e o jogo seguiu empatado. Mais duas cobranças para cada lado e mais quatro gols. Inclusive Raphael Lucas fez o dele.
Chegou a hora da sétima tentativa de defesa, Wagner estava na bola, Dalton não quis nem saber quem era, engoliu o adversário, uma defesa para ninguém botar defeito. Agora a classificação estava nos pés de Kássio, Ivan foi lá e defendeu.
No momento Dalton percebeu que o goleiro adversário também queria muito a glória daquela noite, ele também tinha uma história por trás daquele jogo, devia também estar jogando por alguém, talvez também gostasse do frio, mas esses pensamentos não o atormentaram, apenas seguiu.
Mais duas cobranças para cada lado e o filme se repetiu, mais quatro gols. O jogo era incrível, o placar já marcava 7 a 7 nas penalidades. Patrick foi a cobrança, ventou forte, Dalton defendeu. Mais uma vez o River se via na mesma situação, precisava marcar para avançar de fase na Copa do Brasil, mas Ivan estava ali, também uma muralha, também queria aquela noite. Por que dessa vez seria diferente?
Pediu a bola. Dalton foi para cobrança. O frio parou. O estádio explodia em silencio. Dois segundos, Ivan caiu para um lado, “shhhhláa”. Dalton era o herói daquela noite, o herói do River, o herói do frio, de Teresina e de Chapecó, Dalton era Dalton.
- Parabéns pela vitória, qual foi a sensação?
- Ah, garoto se eu te contar a sensação você nem acredita, mas pode ter certeza que eu estou muito feliz. O River merece essa classificação.
Passada a entrevista o jovem de blusão e óculos virou para o goleiro e disse:
-Também vibrei muito com a sua vitória e vou me lembrar para sempre desse jogo, será que poderia me dar sua camisa?
-Claro que sim!
Quando Dalton estava entregando a camisa o roupeiro do River barrou, disse que não era possível, as camisas estavam poucas, mas Dalton mesmo assim presenteou o repórter com um colete. O jovem foi para casa um pouco frustrado, o goleiro não.

Confira todas as cobranças de pênaltis de Goiás 7 x 8 River com a narração de Chico Costa - 1ª fase da Copa do Brasil 2016 (27/04/2016).

Edição de áudio feita por Torcida Piauiense
Áudio: Rádio Antares AM 800
Imagens: globoesporte.com

OJEC abre vagas para novos atletas


          Escolinha de futebol de Senador Canedo recebe novas inscrições 

Foto disponível no site da ONG De Mãos Dadas Para a Vida 
A escolinha de futebol Oliveira Jovem Esporte Clube (OJEC) está recebendo novos atletas. O OJEC é um projeto social da ONG De Mãos Dadas Para Vida, presente no Jardim das Oliveiras, em Senador Canedo, onde são ministradas gratuitamente aulas de futebol para jovens e crianças.
De acordo com os organizadores, o projeto tem como objetivo afastar os menores das ruas e da criminalidade por meio do futebol. 
“O Oliveira Jovem propõe uma atividade esportiva voltada para o educativo diferente do simples jogar de bola na rua”, afirma Izirley de Paula, o treinador da equipe.
Os interessados devem procurar o treinador Izirley durante os treinos ou a coordenação do projeto na Igreja Católica Nossa Senhora Aparecida, no Jardim das Oliveiras. Os treinos acontecem no campo gramado, próximo à igreja católica do setor, de terça à sexta, nos períodos matutinos (das 9:30h ás 11h) e vespertino (das 16h ás 18:30h).
http://mpv2007.blogspot.com.br/search?updated-min=2016-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2017-01-01T00:00:00-08:00&max-results=1